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Ano 1: ídolos do passado avaliam Itaipava Arena Fonte Nova
No primeiro aniversário da nova Arena, Bobô e Zé Carlos, campeões de 88, lembram grandes momentos na antiga Fonte e falam da emoção de atuar no estádio da Copa
Publicada no dia 09/04/2014 às 15h26
No princípio, fez-se a Fonte. Que voltou ao pó. Mas desde 7 de abril de 2013 voltou a ser Nova. Passados os primeiros 365 dias desde que abriu novamente as portas, a Fonte Nova voltou a ser o principal cartão postal do futebol baiano. Moderno e imponente, mas sem deixar de lado a referência ao passado. O estádio baiano para a Copa do Mundo soube, como poucos, dialogar com a sua história nos seus primeiros 12 meses de existência.

Arena Fonte Nova completa um ano neste 7 de abril de 2014 (Foto: Lino Wessen Sultanum)

Como uma gigante máquina do tempo, o estádio fez, por diversas vezes, o torcedor retornar anos de sua vida e se reencontrar no mesmo endereço: Ladeira da Fonte das Pedras, sem número, no bairro de Nazaré.

As referências ao velho estádio estão em toda parte. A abertura do anel em direção ao Dique do Tororó, charme maior da Arena, os encontros no ‘gol da Ladeira’ e a eterna ferida do lado leste, onde sete torcedores morreram, no antigo estádio, numa das maiores tragédias da história do futebol brasileiro. Está tudo lá. Vivo e presente na nova Arena Fonte Nova.

Nesse primeiro ano de novo estádio, o passado que não tira licença já teve seu dia maior de presente, quando reeditou a final do Campeonato Brasileiro de 1988.

Jogadores de Bahia e Internacional, que em fevereiro de 89 decidiram o Brasileirão do ano anterior, se reuniram para uma partida comemorativa dos 25 anos daquela final. Em 89, no jogo de ida, na antiga Fonte Nova, o Bahia venceu por 2 a 1, com dois gols de Bobô.

Organizador do evento, o ex-atacante Zé Carlos marcou o gol da vitória do Bahia na partida comemorativa. Em entrevista ao GloboEsporte.com, ele lembrou o primeiro encontro com o novo estádio e festejou a chance de poder jogar nas duas Fontes.

- Me lembro na primeira vez que fui nesse novo estádio, para gravar um comercial, e eu pensei: ‘Vou voltar a jogar aqui’. E tive a oportunidade de voltar a jogar e a fazer gol. Muitos jogadores não terão chance de jogar nessas arenas feitas para a Copa. Eu tive a oportunidade jogar e de fazer gol, então para mim é muito gratificante – disse.

Outro ídolo do passado que teve oportunidade de jogar na nova Arena foi Bobô. Capitão da equipe que conquistou o bi-brasileiro em 88, o ex-camisa 8 diz que, do ponto de vista de atleta, a Fonte Nova transmite um energia diferente aos jogadores.

- Joguei meia hora e, do campo, é algo fantástico, ali do centro do campo. Eu lembro que eu brinquei com o Charles e o Zé Carlos enquanto a gente se olhava naqueles dois telões. É um barato. Do ponto de vista de atleta, apesar de só ter jogado meia hora, é fantástico. A sinergia entre campo e torcedor é fantástica. É um energia enorme. Você ouve o torcedor e percebe o que ele sente – disse ao GloboEsporte.com.



No jogo de 25 anos do título de 88, Bobô voltou a campo (Foto: Ulisses Dumas / Ag. BAPRESS/Divulgação)

De primeira, mas à espera do ‘modo caldeirão’

Apesar de encantado com a Arena, o ídolo tricolor Zé Carlos se mostra incomodado com o fato de o estádio ainda não ter recebido seu público total. Na partida de maior público no modo legado, o estádio recebeu 40.249 na partida em que o Bahia perdeu para o Fluminense por 2 a 1, em dezembro de 2013. Já no modo Copa, o estádio recebeu 48.874 torcedores.

Para o ex-jogador, o grande diferencial do antigo estádio era o torcedor. E isto precisa ser conquistado pela Arena.

- A nova Fonte Nova é um mega-estádio, só que o grande glamour da antiga Fonte era a torcida, e ainda não vi esse novo estádio lotado. Estive no último Ba-Vi [no dia 23 de março], e não estava lotado. Já joguei no antigo estádio com 110 mil pessoas, e a nova é um estádio para 50 mil pessoas e ainda não lotou – disse ao GloboEsporte.com.

Bobô discorda do ex-companheiro. Para o ex-jogador e hoje chefe da Superintendência de Desportos da Bahia, existe uma dificuldade em encontrar estádios cheios em todo Brasil, o que não seria um problema específico da Fonte Nova.

- Acho que um estádio para 50 mil pessoas está de bom tamanho. Hoje em dia tem a dificuldade de lotar estádio. A média de público brasileira é baixa atualmente, principalmente nos estaduais. São composições diferentes. Foi muito legal jogar para 110 mil pessoas em 1988, mas não havia conforto algum. Você saía e perdia o lugar. Hoje há lugares marcados e uma comodidade diferente. Então, acho que mudou para melhor. O futebol hoje é um grande negócio. Só espero que seja um estádio de todos e de todas as classes sociais – disse Bobô.


No último Ba-Vi, a Fonte Nova recebeu quase 30 mil torcedores (Foto: Eric Luis Carvalho)

Se ainda falta a alma de caldeirão, Zé vê a Arena completa em termos de estrutura. O ex-atacante brinca e diz que, caso o time campeão em 1988 tivesse atuado em um estádio em condições tão boas quanto o atual, aquele grupo teria vida mais fácil.

- Da parte estrutural, não tem o que falar. Se aquele time campeão de 88 jogasse nesse gramado seria brincadeira. Se naquele antigo campo, que era um pasto, a gente já fazia tabelas e jogadas, nesse campo aí, nós iríamos brincar. Sem falar que a torcida fica bem mais perto do campo. Com essa energia do torcedor, seria uma brincadeira – disse.


Torcida do Bahia voltou no tempo com os herois de 88 (Foto: Erik Salles / Ag. BAPRESS/Divulgação)

Bobô vai além e completa. Para ele, a Arena tem um ganho em termos de conjunto e modernidade.

- Essa concepção de Arena é diferente do que estamos acostumados em termos de comodidade, conforto e acessibilidade. É um estádio diferente de tudo o que a gente tinha no passado. É uma modernização. É um estádio feito para atender o que é o futebol hoje. Um negócio muito diferente do que era no nosso tempo. Futebol hoje é outra coisa – disse o comandante da Sudesb.

De flerte com o passado, mas em busca de novas histórias, a Fonte Nova comemora o primeiro aniversário sem esquecer os seus outros 59 anos, mesmo os três mais obscuros, quando ficou fechada entre 2007 e 2010. Assim o estádio baiano para a Copa do Mundo se faz presente com cara de futuro sem deixar de celebrar o passado.
Fonte: Globo Esporte
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